Viaducto do Chá

Viaduto do Chá

“Em uma tarde de maio de 1889, toda a cidade de São Paulo alvoroçou-se e veio para a rua. Uma notícia correra como um raio: os Tatuí tinham perdido a causa”

Moravam eles num sobrado que ficava na Rua de São José (hoje Líbero Badaró), exatamente na entrada do Viaduto do Chá. Por trás do prédio desenrolava-se a grande chácara do “Cadete Santos”, Barão de Itapetininga. O Barão de Tatuí e sua esposa, a viúva do Barão de Itapetininga, opuseram-se sistematicamente à desapropriação da casa, e consequente demolição, necessária à execução de uma obra pela qual o paulistano estava ardentemente interessado: a construção do Viaduto do Chá. Levando a juízo a questão, foram derrotados e a obra executada.

Afinal, após dificuldades de ordem financeira, com a fundação da Companhia Paulista Viaduto do Chá, a coisa tomou vulto. Logo no primeiro dia, subscreveram-se 676 ações da Companhia, número que subiu, no ano seguinte, a 800. Segundo o primeiro cálculo feito, as obras montaram de 600 a 800 contos.  O dia da inauguração do Viaduto – 6 de novembro de 1892 – foi um dia de festa para o paulistano. A solenidade foi, de fato, imponente, segundo o noticiário dos jornais da época. Amanheceram, naquele dia festivo, enfeitadas de flores naturais as Ruas Direita e Barão de Itapetininga. O Viaduto, também, foi vistosamente adornado com bandeiras, lâmpadas, arcos, e flores em abundância.

Viaduto do Chá e Vale do Anhangabaú, fotografado por Guilherme Gaensly no final do século XIX.
Viaduto do Chá e Vale do Anhangabaú, fotografado por Guilherme Gaensly no final do século XIX.

As autoridades apareceram de fraque e cartola. Nos lugares de honra, o Presidente do Estado, Dr. Bernardino de Campos, o Bispo Diocesano, D. Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, os funcionários da administração, da milícia e do clero paulistano. Bandas de música tocaram o hino nacional, houve discursos. E o povo paulistano, não escondendo a sua satisfação, começou a passear sobre a ponte. E aquilo assinalou um acontecimento que empolgou a opinião pública.

Aconteceu, porém, que todos tinham que pagar. No primeiro dia, no dia da inauguração, não. Mas, já no dia seguinte, sim. Conforme contrato firmado com o Governo, fora criado um direito de pedágio, a cobrar dos transeuntes e veículos: 60 réis (três vinténs) por pedestre; 200 réis por bonde, por esse motivo o viaduto por certo período foi apelidado de “Viaduto dos Três Vinténs”. Quatro anos depois, o governo passa a controlar o viaduto e extingue a cobrança de tarifa.

Foto: Viaduto do Chá e o Vale do Anhangabaú, final do século XIX – Fotografia de Guilherme Gaensly
Fonte: Site da Abril sobre os 450 anos da cidade.

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