O Grande Hotel

Bom Dia!

(…)”Na segunda metade dos anos de 1870, a cidade de São Paulo principiava a vicejar sob o influxo da cada vez mais pujante economia do café. As estradas de ferro que ligavam o interior paulista ao porto de Santos já funcionavam normalmente, estando seus ramais em constante expansão, e a via férrea que poria em contato a capital paulista com a Corte do Rio de Janeiro já se achava em construção, havendo sido inaugurada em 1877.

Na verdade, a São Paulo desse tempo estava a ampliar tanto seus horizontes econômicos, quanto físicos, sociais e culturais. Construíam-se as primeiras indústrias paulistanas a vapor, o comércio se expandia e o patrimônio edificado da cidade começava a ser renovado com a substituição das velhas construções de taipa pelos sobrados novos de tijolos. A Capital constituía-se no novo centro financeiro da Província e o governo da província a partir do presidente João Teodoro (1872-1875) tentava conferir uma expressão mais urbana e amável à vida citadina paulistana.

Frederico Glette (?-1886), e Vítor Nothmann (?-1905), construíram juntos, aquele que seria o mais moderno e luxuoso hotel do país, inaugurado no dia 1.º de julho de 1878, o Grande Hotel. Para se responsabilizar pelo projeto e construção do Grande Hotel, foi escolhido um engenheiro de nacionalidade alemã chamado Hermann von Puttkammer (1842-1917). Estava localizado na esquina da Rua São Bento, com a então Travessa do Grande Hotel (antigo Beco da Lapa), e possuía entrada também pela Rua Libero Badaró. Não se conservou nenhuma foto com o aspecto da fachada principal. A rua era – e ainda é – muito apertada, não permitindo a tomada de fotos mais amplas.

No alvorecer do século XX, porém, o Grande Hotel não podia mais ser tido como o de maior luxo em São Paulo. Moreira Pinto deixou claro em sua obra que o mais moderno e luxuoso estabelecimento dessa natureza era então considerado o Grand Hôtel de la Rotisserie Sportman, localizado na mesma Rua São Bento.

Pelas informações dadas por Antônio Egídio Martins (São Paulo Antigo), entende-se que o Grande Hotel tinha fechado as portas por volta de 1910; mas, na realidade, havia apenas mudado de mãos. Por essa época o hotel usava como sucursal um vistoso edifício projetado em 1907 por Oscar Kleinschmidt no Largo do Café, visível nessa foto de Guilherme Gaensly (a imagem, é de um cartão postal editado pela Casa Garraux). Mais tarde, em data ignorada, passou sua sede a abrigar uma pensão de primeira ordem, muito procurada por estudantes de recursos.

Sucursal do Grande Hotel, a esquina da Rua São Bento com o Largo do Café - Fotografia de Guilherme Gaensly, em cartão postal editado pela Casa Garraux - Primeiros anos do século XX.
Sucursal do Grande Hotel, a esquina da Rua São Bento com o Largo do Café – Fotografia de Guilherme Gaensly, em cartão postal editado pela Casa Garraux – Primeiros anos do século XX.

O tempo contudo mostrou-se ingrato e a decadência finalmente se instalou. A Travessa do Grande Hotel nos anos 30 passou a se chamar Rua Dr. Miguel Couto, em homenagem a um médico carioca muito conhecido, falecido em 1934. Quanto ao velho edifício, acabou demolido trinta anos depois, sem que aparentemente nenhum protesto tenha sido emitido pela sociedade civil. Em seu lugar foi erguido um edifício comercial insignificante, ainda hoje existente, que durante muito tempo permaneceu inacabado.

O Grande Hotel, sem sombra de dúvida, faz parte da história da arquitetura paulistana, e mais do que isso da arquitetura brasileira, tanto por seu estilo arquitetônico (testemunha dos primeiros momentos do Ecletismo na cidade de São Paulo) e porte incomum, quanto pela excepcionalidade e pioneirismo de sua função, hotel de luxo, o primeiro da cidade e de todo o país.”

Fonte: CAMPOS, Eudes. O antigo Beco da Lapa e o Grande Hotel.
INFORMATIVO ARQUIVO HISTÓRICO MUNICIPAL, 4 (24): maio/jul.2009 <http://www.arquivohistorico.sp.gov.br&gt;

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1 comentário Adicione o seu

  1. É uma pena mesmo a falta de memoria dos brasileiros (especialmente dos paulistanos daque época)… Mas o edifício da foto ainda existe, e hoje abriga um bom bar no térreo, e restaurantes e lojas nos andares superiores! E está em bom estado de conservação (não ótimo, mas bom!)

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