Vicenzo Pastore

A primeira da série de postagens sobre os grande fotógrafos de São Paulo. Começando com Vicenzo Pastore.

Conjunto de 137 imagens que abrangem o período de 1910 a 1915. A São Paulo de Vincenzo Pastore (1865-1918) é ainda o burgo aprazível que começava a acolher os imigrantes europeus, como o próprio fotógrafo. O que há de mais relevante nesse trabalho são as cenas espontâneas de rua, com imagens de jornaleiros, engraxates, feirantes, garotos brincando com bolas de gude e vendedores ambulantes, entre outros.

Casario e lavadeira às margens do rio Tamanduateí , aproximadamente 1910 -   Região da várzea do Carmo, atual Parque D. Pedro II.
Casario e lavadeira às margens do rio Tamanduateí , aproximadamente 1910 –
Região da várzea do Carmo, atual Parque D. Pedro II. A igreja em segundo plano é da Igreja da Boa Morte.

Pastore nasceu em Casamassima, na região da Puglia, Itália, e chegou a São Paulo em 1894, já como fotógrafo profissional. Montou estúdio na antiga rua Assembleia (transferido posteriormente para a rua Direita) e tornou-se um dos mais ativos e conceituados profissionais da cidade. Em 1914 estabelece uma filial em Bari, na Itália, chamada Fotografia Italo-Americana-ai Due Mondi, mas a eclosão da Primeira Guerra Mundial o obriga a voltar para o Brasil um ano depois. Quem cuidava da parte laboratorial era a mulher, Elvira, que o ajudava, entre outros trabalhos, na grande demanda dos cartões de visita “Retrato Mimoso”, uma invenção de Pastore. Esses cartões eram portraits comerciais que tinham retratos em formato de losango, encomendados quase sempre por socialites. O estúdio também produzia retratos de índios e negros com indumentária de escravos que chamavam a atenção de europeus que, naquele início de século XX, ainda eram ávidos por imagens do exotismo brasileiro. Como reconhecimento por esse trabalho, Pastore recebeu do rei Humberto I da Itália o título de cavalheiro (“chevalier”).

Procissão na Rua Direita , aproximadamente 1910 - Vicenzo Pastore - IMS
Procissão na Rua Direita , aproximadamente 1910 – Vicenzo Pastore – IMS

Apesar da intensa atividade comercial nos estúdios de São Paulo e Bari, é com os instantâneos de rua que Pastore desenvolve um trabalho realmente singular, que o situa entre os grandes documentaristas da capital paulistana. Na década de 1910, ele fotografa intensamente a região central da cidade, flagrando cortiços e seus habitantes: negros e mulatos marginalizados, pouco registrados até então. Pastore representa visualmente a dinâmica da mestiçagem que já vinha sendo discutida na literatura por intelectuais como Machado de Assis, João do Rio e Lima Barreto.

Rua Direita - Vicenzo Pastore, aproximadamente 1910 - IMS
Rua Direita – Vicenzo Pastore, aproximadamente 1910 – IMS

Como Pastore fazia este tipo de foto por diletantismo, a coleção só viria a público em 1997, divulgada por seu neto Flávio Varani. Pianista clássico e professor em Yale, ele buscou a consultoria do curador do departamento de fotografia da universidade depois de herdar 137 fotogramas do avô, sem negativos. As ampliações eram produzidas por Dona Elvira com retalhos de papel fotográfico, em tamanhos variados e em tamanho 30 x 40 cm. Até a doação da coleção ao Instituto Moreira Salles, as fotos ficaram acondicionadas em uma caixa de charutos com umidificador.

Texto e Imagens do Instituto Moreira Salles

Anúncios

2 comentários Adicione o seu

  1. …fantástico … um presente que nos deixou um iluminado…nosso passado revivido!

    Curtir

  2. Pingback: Alice Brill |

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s