Perpétuo…

Bom Dia!
O Elegante Café União.

“São Paulo diariamente enriquece o patrimônio de seu comércio com instalações novas e muito chics.
O Café União é um exemplo do que asseveramos. A par do maior conforto num dos melhores pontos do centro urbano, à rua de S. Bento, nº 75-A, próximo ao largo do Rozario.

Para festejar a inauguração do Café União o seu simpático proprietário, sr. Francisco Perpetuo ofereceu à imprensa e a pessoas de suas relações uma taça de champagne.

Pelas fotografias que aqui reproduzimos, podem os leitores verificar a exatidão do que vimos dizendo. O Café União está fadado a uma próspera e longa vida. É o que sinceramente lhe desejamos, ao mesmo tempo que agradecemos ao digno sr. Perpetuo as gentilezas dispensadas ao nosso companheiro de trabalhos que ali esteve no dia da inauguração.”¹

Mas como São Paulo é uma cidade efêmera, de perpétuo mesmo, só o nome do proprietário. O estabelecimento pode até ter tido anos prósperos, mas não foram tão longos assim.

 

O proprietário, Sr. Francisco Perpétuo
O proprietário, Sr. Francisco Perpétuo
Aspecto da noite de inauguração, em pé, segurando uma taça o Sr. Francisco Perpetuo.
Aspecto da noite de inauguração, em pé, segurando uma taça o Sr. Francisco Perpetuo.
A sala de bilhares.
A sala de bilhares.

 

 

 

 

 

 

 

O Bar do café. No centro e braço apoiado no balcão Sr. Francisco Perpetuo.
O Bar do café. No centro e braço apoiado no balcão Sr. Francisco Perpetuo.

A publicação foi originalmente postada em um grupo fechado, e junto com mais amigos memorialistas de Sampa, procuramos saber onde ficava exatamente o Café União.

Outros estabelecimento conhecidos como “cafés”, levavam em sua fachada o nome de “salão”, exemplo disso é o “Café América”, mas que possuía uma placa em sua fachada o nome “Salão América”. Dada a localização informada, o Café/Salão União é o estabelecimento indicado nas fotos abaixo:

A imagem de Guilherme Gaensly é do início do século XX, portanto, é anterior a inauguração do Café.  É possível que na publicação da revista, o Sr. Francisco seja um novo proprietário.
A imagem de Guilherme Gaensly é do início do século XX, portanto, é anterior a inauguração do Café.
Nesse postal de 1905, o Café União perde parte de sua fachada para o novo e elegante prédio da Brasserie Paulista.  Notem que a praça já está com seu nome atual, Antonio Prado.
Nesse postal de 1905, o Café União perde parte de sua fachada para o novo e elegante prédio da Brasserie Paulista.

 

 

 

 

 

 

 

Nessa foto, já da metade da década de 1910, o prédio do Café União já cheio de cartazes, seria demolido em breve.
Nessa foto, já da metade da década de 1910, o prédio do Café União já cheio de cartazes, seria demolido em breve. O estabelecimento muda para a rua 15 de novembro.

 

Nessa imagem, já próxima da década de 1920, o casario onde existia o Café dá lugar a um novo edifício.
Nessa imagem, já próxima da década de 1920, o casario onde existia o Café dá lugar a um novo edifício.
Nessa imagem de Aurélio Becherini de 1920, o edifício já finalizado.  Como prova que nada é perpétuo, esse prédio também não existe mais.
Nessa imagem de Aurélio Becherini de 1920, o edifício já finalizado.
Como prova que nada é perpétuo, esse prédio também não existe mais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Finalizando a linha do tempo do Café União, de acordo com a numeração que consta no banner da foto que informa a mudança, a nova sede do Café União ocupava o 2.º edifício à esquerda do Mappin & Webb.
Finalizando a linha do tempo do Café União, de acordo com a numeração que consta no banner da foto que informa a mudança, a nova sede do Café União ocupava o 2.º edifício à esquerda do Mappin & Webb.

 

 

Agradecimentos: Reinaldo Elias, que iniciou a publicação. Marcos César da Silva e João José Basso, na publicação de mais fotos e informações quanto a localização do estabelecimento

Fonte: ¹Textos e fotos da revista Correio da Semana, 18 de abril de 1904. / Livro “A Cidade-Exposição”, página 290.
Demais imagens do local do café, do acervos das pessoas acima citadas / Sampa Histórica.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Marcos F.C. Rios disse:

    Felipe, depois de meses imerso na minha pesquisa sobre a rua XV de Novembro e os seus prédios, nunca havia me atentado para fotos de interior das lojas. Claro que a Rua Sâo Bento tinha uma suntuosidade diferente da XV, mas essa cafeteria impressiona visto que se você pensar nos dias atuais, não há cafeterias desse tamanho… e sinceramente depois da crise de 29 nem sei se já existiu algo do gênero com tanto espaço interno e luxuosidade. Fico a pensar se a filial perto da Mappin Stores conservou o mesmo tipo de ambiente interno… afinal ali o preço por m² devia ser mais caro devido aos bancos, que já estavam dominando a rua na época.

    Agora o que mais me impressionou, como arquiteto acima de tudo, foi como é que um prédio novo “invade” parte do lote de outro, que por sua vez foi reformado/reerguido em parte sobre parte de OUTRO, o qual por estar na esquina foi prejudicadíssimo! Só em uma cidade como a nossa, mesmo.

    E tem mais, você conseguiu demonstrar a tese do Prof. Benedito LIma de Toledo (S.P.: três cidades em um século); aquele prédio térreo da época colonial dera lugar a um prédio mais alto, o qual por sua vez fora demolido pra dar lugar a outro ainda mais “moderno”!

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