A avenida que não era dos Barões…

É muito comum escutarmos: “a Avenida Paulista dos Barões do Café…”, mas na verdade, não era bem assim:

A Avenida Paulista não era endereço dos Barões do Café, visto que proporcionalmente foram poucas as famílias ligadas diretamente a essa cultura a residir na avenida. Poderíamos consultar a lista de assinantes da Cia. Telefônica e provar que a Paulista era endereço dos imigrantes, bastando ver os nomes que ali estão: Matarazzo, Rizkhalla, Assad, Schaumann, Weizflog, Von Bullow, Thiollier, Klabin, Crespi, Siciliano, Gamba, Scarpa. 

1905- Avenida Paulista G. Gaensly
Avenida Paulista em direção à Consolação, em imagem de 1905 de Guilherme Gaensly. Acervo da Secretaria Municipal de Cultura.

 

 

 

Joaquim Eugênio de Lima (que hoje empresta o nome a uma das Alamedas da Avenida) inaugurou em 8 de Dezembro de 1891 a Avenida Paulista. O quadro de Jules Martin mostra as festividades de inauguração (Acervo do Museu Paulista da Universidade de São Paulo)
Joaquim Eugênio de Lima (que hoje empresta o nome a uma das Alamedas da Avenida) inaugurou em 8 de Dezembro de 1891 a Avenida Paulista.
O quadro de Jules Martin mostra as festividades de inauguração (Acervo do Museu Paulista da Universidade de São Paulo)

 

Os nomes nacionais, apesar de pertencerem à famílias ligadas a cafeicultura, em sua maioria dedicavam-se a profissões liberais, desvinculados da agricultura e, portanto, não se enquadrando no que se convencionou chamar de “barões do café”. Nicolau Moraes Barros (médico); Horácio Sabino (empresário); Numa de Oliveira (banqueiro); Ernesto Dias de Castro (importador), Luis Anhaia (professor) eram alguns desses indivíduos que, apesar de ligados à economia cafeeira não eram produtores, mas sim profissionais liberais ou empresários notadamente urbanos.

 

 

 

 

 

Avenida Paulista em direção ao Paraíso. Do lado esquerdo o Belvedere Trianon e do direito, o Parque Trianon que em 1931 ganhou o nome de Ten. Siqueira Campos. Postal editado pelas Livrarias Edanee - Original Colombo & Francesconi.
Avenida Paulista em direção ao Paraíso. Do lado esquerdo o Belvedere Trianon e do direito, o Parque Trianon que em 1931 ganhou o nome de Ten. Siqueira Campos. Postal editado pelas Livrarias Edanee – Original Colombo & Francesconi.

 

O barões do café – que receberam títulos nobiliárquicos do Império (exceto os Condes Matarazzo e Siciliano, que tiveram seus títulos concedidos pelo Papa) – moraram ou em suas fazendas (notadamente os do Vale do Paraíba) ou no chamado Centro Histórico da Cidade. Dali, alguns se transferiram para os caminhos que demandavam a Estação da Luz, como Rua Alegre e da Constituição (hoje, respectivamente, Brigadeiro Tobias e Florêncio de Abreu) ou para os Campos Elíseos, cujo loteamento se iniciou em 1880.


Fonte Texto: Blog São Paulo Antigo
Imagens: acervo Sampa Histórica.

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