A Ponte, o Observatório e o Brigadeiro

Bom Dia!

São Paulo sempre teve problemas com aos alagamentos (e até isso parece ter mudado). Desde tempos remotos, os rios Tietê e Tamanduateí alagam (alagavam) após fortes chuvas e além das várzeas que eram ocupadas, a força das águas derrubava as frágeis pontes construídas ao longo de seus cursos. Uma das pontes mais populares construídas ao longo do rio Tietê e que mais resistiu a força da natureza (mas não da modernidade) foi a Ponte Grande.

A ponte, ligava a avenida Tiradentes a Chácara da Ponte Grande, de posse do Brigadeiro José Vieira Couto de Magalhães. Foi construída por volta de 1860 e já ultrapassada e não atendendo a crescente demanda de veículos, foi demolida para a construção da Ponte das Bandeiras, inaugurada em 25 de janeiro de 1942.

A Ponte Grande e Observatório Astronômico em postal circulado em 1899 - Série Sud Amérika - Ver. Albert.
A Ponte Grande e Observatório Astronômico em postal circulado em 1899 – Série Sud Amérika – Ver. Albert.
coutodemagalhaes
Retrato com a assinatura do Brigadeiro Couto de Magalhães, posterior à Guerra do Paraguai.¹

“(…) José Vieira Couto de Magalhães, nasceu na cidade de Diamantina, MG, no dia 1.º de novembro de 1837. Era filho do Capitão Antonio Carlos de Magalhães, português de nascimento e de Tereza Vieira do Couto, de origem paulista. Completou seus estudos primários no Colégio Caraça, em Minas Gerais. Obteve o grau de Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1859. (…) Foi Presidente da Província de Goiás aos 25 anos, do Pará aos 27 anos; e de Mato Grosso aos 29 anos; vindo a ser Presidente da Província de São Paulo aos 52 anos de idade em 1889, alguns meses antes da Proclamação da República. (…)
Seu interesse pela astronomia é mencionado por Aureliano Leite em seu livro “O Brigadeiro Couto de Magalhães”, em que cita Afonso Celso comentando sobre a erudição de Couto de Magalhães: “Em 1862 consagrou-se à física e à mecânica. Quando em Londres, entregou-se ao estudo da física e da astronomia. Montou, mais tarde, um importante observatório astronômico em São Paulo, oferendo-o por fim, à Escola Politécnica”.¹

O observatório do Brigadeiro, popularmente chamado de “Observatório da Ponte Grande”, é considerado o primeiro de São Paulo. Em informações não muito precisas, estima-se que o observatório tenha sido construído entre  1865/1870 e tenha sido demolido já no final da década de 1930.

A Ponte Grande e o Observatório, acervo da editora Horizonte.
A Ponte Grande e o Observatório, acervo da editora Horizonte.

1900 - Ponte Grande - Barco com Pessoas - Gaensly & Lindemann - DCP
1910 - Clube Espéria - Foto da Ponte Grande - F. Manzieri - DCP

O rio Tietê, quando ainda fazia parte da cidade e da vida de seus habitantes. O fotógrafo/editor F. Manzieri, estava posicionado na Ponte Grande e registrou algo comum na época: os clubes e as regatas. Essa no Clube Espéria, início do século XX.

Regata no rio Tietê, no início do século XX, registro de Guilherme Gaensly (1843-1928),
Regata no rio Tietê, no início do século XX, registro de Guilherme Gaensly (1843-1928),

Felizmente sobraram as imagens para nos mostrar como era.

Ponte Grande circa 1870-1882, em imagem do brilhante fotógrafo carioca Marc Ferrez. Acervo da Biblioteca Mário de Andrade.
Ponte Grande circa 1870-1882, em imagem do brilhante fotógrafo carioca Marc Ferrez (1843-1923). Acervo da Biblioteca Mário de Andrade.
1920 - Ponte Grande - Série Postais de SP - Sem Autoria - BMA
Álbum: Postais da Cidade de São Paulo (1900-1940) Título da foto: (35) Brasil – São Paulo, Rio Tietê – Ponte Grande Autoria: Acervo da Biblioteca Mário de Andrade
A versão da foto anterior em postal editado por Cesar Mateos. Sem data.
A versão da foto anterior em postal editado por Cesar Mateos. Sem data.
Postal circulado em 1904,  destaca o Observatório Astronômico, escondido pelas árvores.
Postal circulado em 1904, destaca o Observatório Astronômico, escondido pelas árvores.

¹ Imagem do Brigadeiro e parte do texto retirados de: Instituto Astronômico e Geofísico da USP: memória sobre sua formação e evolução. Santos, Paulo Marques dos. Páginas 39,40,41. Ed. Edusp

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1 comentário Adicione o seu

  1. O problema de alagamento dos rios é muito antigo mesmo. Piratininga, nome pelo qual era conhecida a região pelos índios, na língua Tupi significa “terra do peixe seco” ou algo parecido, referente aos peixes que ficavam secando após as águas da enchente refluírem para o leito dos rios.

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