Memórias

Boa Noite!

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“Eu, que com minhas antigas fotos, sempre provoco nas pessoas a sensação de saudade e nostalgia, hoje fui arrebatado por ela. Estive no ginásio de Conchas, onde não entrava há mais de 20 anos. Fui até o anexo, onde estudei parte do primário e depois de olhar as salas de aulas, entrei no banheiro para ver se nas portas das cabines ainda existiam as fechaduras redondas que, quando travadas, exibiam a palavra “ocupado”, mas não estavam mais lá. Assim como o pequeno palco de madeira no meio do galpão e tantos outros pequenos detalhes que sobrevivem na minha memória e que desapareceram do lugar como que por mágica. Por breves instantes, tive a impressão de ouvir a sineta tocar, anunciando o fim do recreio e das brincadeiras com os coleguinhas, mas foi pura ilusão auditiva. Desci para o prédio principal, passei pela quadra vazia e já decadente, que vi sendo construída e que foi palco das minhas odiadas aulas de educação física (sempre fui ruim nos esportes) e não senti saudades. Dentro do prédio, em vão procurei o mimeógrafo e o piano que ficavam ao lado da escada, que ainda se mantém imponente e bonita. Subi e espiei, entre olhares curiosos, as salas onde estudei, pensei ouvir as vozes dos colegas de classe, mas eram de outras pessoas. No meio do corredor me assaltou uma emoção mais forte, que não era triste, mas que deixaram meus olhos com lágrimas, quando, em frente à porta do laboratório, imaginei meu pai, professor de ciências, saindo por ela. Resolvi descer e sair do prédio antes que a tristeza resolvesse tomar conta de mim. Lá fora, o sol quente e o calor ajudaram a dissipar os restos de sensações nostálgicas que esperavam a vez de entrar em cena. Vi pessoas conhecidas, ri com elas, conversei amenidades e por fim justifiquei o meu voto. Voltei para a casa da minha mãe e antes do carro descer a rua e o ginásio desaparecer completamente do meu campo de visão, olhei para trás com a leve sensação de que era a última vez que estaria ali novamente.”

Memórias do amigo Reinaldo Elias e de sua cidade natal, Conchas, no interior de São Paulo. O Reinaldo mantém um blog sobre a cidade e a memórias de seus habitantes, chamado “Conchas, A Cidade Revelada”.

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