Postalsinho de Marina

Bom Dia!

Muita gente não entende a lógica de colecionar cartões postais, afinal pra que comprar algo antigo, de pessoas que jamais conheceremos, de imagens da cidade que já nem são mais as mesmas e algumas vezes com coisas escritas que nem entendemos?

Porque eles carregam a única coisa que esses nossos conterrâneos do passado deixaram nesse mundo: suas histórias, memórias, emoções, amores, saudades… No tempo onde a tecnologia para comunicação era limitada, o cartão postal era a “rede social” do momento e a forma mais barata de se comunicar com aqueles que viviam em outras bandas. E nesse “Feed de Notícias” abaixo, que está prestes a completar 100 anos, está a breve história de Marina Azevedo e suas amiguinhas.

Quem era Marina? Onde viveu? Casou-se? Teve filhos? Era dona de casa como a maioria das mulheres ou trabalhava fora? Onde repousa o “sono dos justos”?

Muitas perguntas, poucas respostas. O que posso afirmar é que vinha de família com alguma condição financeira, afinal, ser alfabetizada naquele tempo era privilégio de poucos. O restante a gente só pode imaginar e viajar no tempo através desses dois cartões.

A rua 15 de Novembro vista em direção à Praça Antonio Prado. O prédio na esquina com a rua Direita era a Casa Lebre. O prédio com a torre ao fundo a Casa Paiva. Postal editado por F. Manzieri.
A rua 15 de Novembro vista em direção à Praça Antonio Prado. O prédio na esquina com a rua Direita era a Casa Lebre. O prédio com a torre ao fundo a Casa Paiva. Postal editado por F. Manzieri.

1914 - Rua 15 de Novembro - Esquina Direita - F. Manzieri - Verso - DCP

“As bôas amiguinha Julie e Pauline Cerf, Marina Azevedo deseja-lhes Boas Festas e innumeras felicidades no Novo Anno. Acceitam saudades da amiga Marina.”
23-12-1914.

“Porque não me escrevem?
Já lhes enviei uma cartinha, ha muito tempo e ainda não obtive resposta.”

A resposta, jamais saberemos, sei que ela a obteve por conta desse postal sem data, enviado em reposta para as amigas

O Largo Dr. Antonio Prado (Praça Antonio Prado), com o bonde da direita seguindo (ou vindo da) em direção a rua 15 de Novembro. O prédio da esquerda é o Palacete Martinico (que ainda existe, mas desfigurado, sede da BM&F Bovespa) e o  que está em frente o Palacete João Brícola, demolido para construção do edifício Altino Arantes. Editado por F. Manzieri.
O Largo Dr. Antonio Prado (Praça Antonio Prado), com o bonde da direita seguindo (ou vindo da) em direção a rua 15 de Novembro. O prédio da esquerda é o Palacete Martinico (que ainda existe, mas desfigurado, sede da BM&F Bovespa) e o que está em frente o Palacete João Brícola, demolido para construção do edifício Altino Arantes. Editado por F. Manzieri.

1914 - Largo Dr. Antonio Prado - F. Manzieri - Verso - DCP

“Presada Pauline
Não podes avaliar o immenso prazer que tive ao receber o teu postalsinho. Rivaldo já seguio para o Rio no ultimo dia de Carnaval. Divertiu-me muito. Adeus,
Acceita saudades da tua Marina.”

Recommendações aos teus bons pais.
Saudades!

 

Postalsinho, título dessa publicação, foi escrito da forma antiga, assim como a nossa amiga Marina escreveu. Os postais estão a venda no Ebay.

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2 comentários Adicione o seu

  1. Reinaldo Calejuri disse:

    Adoro estas histórias, parece que viajo num livro de Machado de Assis. Parabéns pelas postagens

    Curtir

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