Memória da Indústria: Comp. Nacional de Tecidos de Juta

Boa Tarde!

Dando uma organizada nas imagens do acervo, encontrei por acaso essa bela imagem da Companhia Nacional de Tecido de Juta. E ao pesquisar sobre a empresa, encontrei histórias bem interessantes sobre esse período da industrialização paulistana.

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Anúncio da Companhia Nacional de Tecidos de Juta, publicado no Almanack Laemmert de 1918.¹

“A economia brasileira de início do século XX, de maneira geral, prosperava tanto com a riqueza gerada pelo comércio cafeeiro como por meio da estabilidade econômica. (…)  Os grandes negócios estavam relacionados ao transporte para a exportação do café, como as ferrovias e os portos, e ao sistema financeiro. Além dessas atividades, outras também se fortaleciam com as vendas de café, como as locais de transporte e comércio, e as empresas de materiais agrícolas, de produtos para os cafezais e ainda, as sacarias de juta.

Os sacos produzidos nessas sacarias eram essenciais para a produção de café, primeiro por facilitar o transporte no circuito comercial e, em segundo, por padronizar a negociação do café (em sacas – sacos de 60 kg). Desta maneira, a tendência das sacarias era de acompanhar o crescimento da produção de café, afinal todo o produto que fosse exportado precisaria ser ensacado. Assim, seguindo o aumento da produção observada no final da primeira década do século XX, as sacarias de juta existentes no país aceleraram suas produções, de forma a criar uma “situação anormal do mercado de sacaria para o café”, causando, como relatou Alfredo Ellis em discurso ao senado, “o máximo aviltamento dos preços”, a ponto de não mais cobrirem os gastos de fabricação. Aproveitando esse enfraquecimento dos estabelecimentos de confecção de sacos de juta, os empresários Candido Gaffrée e Eduardo Guinle, da empresa carioca Guinle & Co., deram suporte ao colega Jorge Street para comprar duas das principais produtoras de sacos juta do Brasil: a Fabrica Santa’Anna e as fábricas do Conde Álvares Penteado, formando naquele mesmo ano de 1908 a Companhia Nacional de Tecidos de Juta em São Paulo.¹”

SD - Jorge Street - Site JorgeStreet.com.br
Jorge Street, s/d. ²

Jorge Street era carioca, filho de Ernesto Diniz Street e Heloísa Leopoldina Simonsen Street, donos Sacaria São João no Rio de Janeiro. Street apesar de ter se formado em Medicina, ao receber as ações da Fábrica São João em 1894, passou a se dedicar às atividades empresariais. No ano de 1900, foi eleito para a Diretoria da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional, e entre 1904 e 1927 foi membro da diretoria do Centro Industrial Brasil, que ajudou a formar.

(…) Percebendo que o café havia se deslocado para São Paulo, e as fábricas de juta eram uma atividade promissora, Street mudou-se para São Paulo para comprar a Fábrica Santana do Conde Álvares Penteado. (…) Com a crescente demanda de sacos no estado de São Paulo, Street já havia deslocado as máquinas da Fábrica São João (RJ) para São Paulo no ano de 1907, um ano antes de formar a Companhia Nacional de Tecidos de Juta, em que Street seria seu presidente.¹”

1908 - Junção para formação da Cia. Nacional de Tecidos de Juta - Commercio de São Paulo - Ed. 407 - 21 de Janeiro - BN
Anúncio da transferência da Fábrica de Tecidos de Sant’Anna para a Companhia Nacional de Tecidos de Juta, 1908.³

Jorge Street se destacaria ainda em outros feitos, como a construção da primeira vila operária do país. Em 1912 principiou a construção da fábrica e Vila Operária Maria Zélia, em São Paulo, dirigindo-as até 1923, quando renunciou à direção da Companhia Nacional de Tecidos de Juta.

A Companhia funcionaria até 1931. Em 1936, as instalações da fábrica serviriam como presídio, durante o “Estado Novo”. As instalações da sede ficavam na rua Gabriel Piza, no bairro de Santana, não sei dizer o que existe hoje no local.

1917 - Entrada Vila Maria Zélia - FFLCH USP
Entrada da Vila Maria Zélia em 1917. 4

Em 20 de junho de 1926, foi eleito presidente do Centro dos Industriais de Fiação e Tecelagem de São Paulo, cargo que ocupou até 18 de março de 1929. Em 11 de junho de 1927 fundou a Companhia de Tecidos de Algodão, no bairro da Mooca, São Paulo. Em 1928 fez parte da diretoria do centro das Industrias do Estado de São Paulo no cargo de primeiro-secretário, em 1931 foi consultor técnico da Federação das Industrias do estado de São Paulo.

1939 - Nota Falecimento Jorge Street - Diário de Pernambuco - Ed. 91 - 24 de Fev. - BN
Notal de Falecimento de Jorge Street, 1939. 5

Em 31 de março de 1931 foi nomeado diretor-geral do Departamento Nacional de Industria e Comércio, do Ministério do trabalho, Industria e Comércio. Em 1934 foi nomeado pelo interventor Armando Salles de Oliveira para o cargo de diretor-geral do Departamento Estadual do Trabalho, permanecendo no cargo até 1936. Faleceu em São Paulo a 23 de fevereiro de 1939.²

Fontes – Textos:
¹ “Industrialização e política local: constrangimentos na expansão da Companhia Nacional de Tecidos de Juta no início do século XX” – Alexandre Macchione Saes
² Retirado do site oficial da Escola Técnica que leva o nome do industrial, localizada no município de São Caetano do Sul. http://www.jorgestreet.com.br/jorgestreet.html

Fontes – Imagens:
¹ Almanack Laemmert, ed. 74, página 1774, 1918. Acervo da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional;
² Retirado de http://www.jorgestreet.com.br/jorgestreet.html;
³ Publicado no Commercio de São Paulo, ed. 407, de 21 de Janeiro de 1908. Acervo da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional
4 Retirada de http://lemad.fflch.usp.br/node/291
5 Publicada no jornal Diário de Pernambuco, edição 91, de 24 de fevereiro de  1939.

O material retirado da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional é detentor do direito autoral, patrimonial e moral, com base nos incisos do art. 7º da Lei n. 9.279 de 1996 (LPI) e artigo 5°, inciso XXIX, da Constituição de 1988.

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