O monumento do Regente Feijó

Bom Dia!

Sempre estou de olho nos postais a venda nos sites de leilões, alguns deles eu copio as imagens e publico aqui com os detalhes e descrições, outros, quando possível, além de publicar eu compro.

Foi o caso desse abaixo, eu confesso que nunca tinha visto, lido ou escutado nada sobre um monumento do Regente Feijó no Largo da Liberdade e nem sobre o paradeiro dele, afinal, lá temos certeza que não está mais.

1928 - Monumento a Diogo Antonio Feijó na Liberdade - DCP
Monumento de Diogo Feijó, o famoso Regente ainda no Largo da Liberdade, em postal circulado em 1928. Acervo Sampa Histórica

Em 1908, a partir de uma proposta de José Alves de Cerqueira César, foi criada um comissão para a execução de um monumento em homenagem ao Regente Diogo Antonio Feijó. Coube a Eugenio Egas secretariar esta comissão e implementar a concretização de seus objetivos, desde a publicação de artigos na imprensa até a inauguração do monumento. Esta iniciativa espelhava uma preocupação dessa elite, que entendia que a edificação de monumentos era um importante elemento na construção da memória histórica e na criação dos mitos da grandiosidade paulista.¹

Em 1912, o então prefeito da cidade Raymundo Duprat, promulga a lei que determina então a construção do monumento:

“LEI Nº 1610, DE 31 DE OUTUBRO DE 1912.

MANDA RESERVAR LOGARES NO LARGO DA LIBERDADE PARA A ERECÇÃO DA ESTATUA DO PADRE DIOGO ANTONIO FEIJÓ E PARA UM MONUMENTO Á MEMORIA DO DR. JOSÉ ALVES CERQUEIRA CESAR.

Raymundo Duprat, Prefeito do Municipio de S. Paulo, Faço saber que a Camara, em sessão de 25 do corrente, decretou e eu promulgo a lei seguinte:

Art. 1º Fica o Prefeito autorizado a reservar no Largo da Liberdade um logar para nelle ser erguida a estatua do notavel estadista Padre Diogo Antonio Feijó, e um outro logar no mesmo largo para nelle ser levantado um monumento á saudosa memoria do benemerito paulista Dr. José Alves de Cerqueira Cesar, ajardinando-se o largo conforme a planta offerecida, podendo despender para tal fim a quantia necessaria pela verba “Serviços e Obras”, do orçamento.
Art. 2º Revogam-se as disposições em contrario.

O Director Geral a faça publicar.
Secretaria Geral da Prefeitura do Municipio de S. Paulo, 31 de outubro de 1912, 359º da fundação de S. Paulo.

O Prefeito, Raymundo Duprat.
O Director Geral, Alvaro Ramos. “²

Em 24 de maio de 1913, ano em que se completavam 70 anos de sua morte, com um solene evento cívico, foi inaugurada a estátua do Regente Feijó no Largo da Liberdade, na Capital.

1913 - Livro Monumento ao Diogo Antonio Feijó

Eugenio Egas se envolveu de tal forma com o movimento de criação do monumento que lançou o livro intitulado “O Monumento de Diogo Antonio Feijó (Sua historia – Sua execução – Festas inauguraes)”, onde narrou toda a história do monumento ao Regente Feijó.
No recorte de jornal mais abaixo (o terceiro) constam as informações: o desenho do pedestal fora realizado por Victor Laloux, o granito é de São Paulo e a obra de cantaria foi realizada aqui na capital, sob a supervisão de ninguém menos que Ramos de Azevedo, e o autor do monumento é Luiz Convers.

1953 - Monumento a Diogo Feijó - Liberdade - Sebastião de Assis Ferreira - BMA
O monumento ao Regente Feijó, em foto de Sebastião de Assis Ferreira, data desconhecida. Acervo da Biblioteca Mário de Andrade.

Claro que os jornais da época não deixariam de noticiar tal evento. Dos recortes que encontrei, destaco os quatro abaixo (clique nas imagens ou salve em seu computador para visualizar melhor):

O comunicado sobre a estátua.

1913 - Notícia sobre o Monumento ao Diogo Antonio Feijó - Correio Paulistano - Ed. 17 de Maio 17894 - HBN
Recorte do Correio Paulistano, edição 17894 de 17 de Maio de 1913 – Acervo da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional


A distribuição dos convites.

1913 - Notícia sobre o Monumento ao Diogo Antonio Feijó - Correio Paulistano - Ed. 20 de Maio 17897 - HBN
Notícia sobre o Monumento ao Regente Feijó, publicado no Correio Paulistano – Edição 17897 de 20 de Maio de 1913. Acervo da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Os destalhes sobre o monumento (citado no começo dessa publicação)

1913 - Notícia sobre o Monumento ao Diogo Antonio Feijó - Correio Paulistano - Ed. 23 de Maio 17900 - HBN.JPG

E claro, a pompa e os festejos da inauguração!

 

1913 - Inauguração do Monumento ao Diogo Antonio Feijó - Correio Paulistano - Ed. 24 de Maio 17902 - HBN
Notícia sobre o inauguração do Monumento ao Regente Feijó, publicado no Correio Paulistano. Edição 17902 de 24 de Maio de 1913. Acervo da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Sobre o homenageado:

Diogo Antônio Feijó, também conhecido como Regente Feijó ou Padre Feijó (São Paulo, batizado em 17 de agosto de 1784— São Paulo, 10 de novembro de 1843), foi um sacerdote católico e estadista brasileiro.

Considerado um dos fundadores do Partido Liberal. Exerceu o sacerdócio em Santana de Parnaíba, em Guaratinguetá e em Campinas. Foi professor de história, geografia e francês, além de ter seu nome ligado à história da filosofia no Brasil por ter sido o primeiro a tratar do pensamento kantiano no país. Em seu primeiro cargo político foi vereador em Itu. Foi deputado por São Paulo às Cortes de Lisboa, abandonando a Assembléia antes da aprovação da Constituição. Era adversário político de outro paulista,José Bonifácio de Andrada e Silva. Foi deputado geral por São Paulo (1826 e 1830), senador (1833), ministro da Justiça (1831-1832) e regente do Império (1835-1837).³

1953 - Monumento a Diogo Feijó - Liberdade - Sem Autoria - Hagop Garagem
O monumento ao Regente Feijó, em foto de autoria desconhecida, datada de 1953. Encontrada no site Hagop Garagem, que retirou de acervo oficial, porém não preservou a fonte / fundo / acervo.
1953 - Monumento a Diogo Feijó - Liberdade - Costas - Sem Autoria - Hagop Garagem
O monumento ao Regente Feijó, em foto de autoria desconhecida, datada de 1953. Encontrada no site Hagop Garagem, que retirou de acervo oficial, porém não preservou a fonte / fundo / acervo.

Mas e o monumento?
Como em São Paulo não são muitas coisas que duram “pra sempre”, ou pelo menos um século, o monumento foi desmontado. A parte da estatuária foi cedida para a cidade de Itu e o restante ficou abandona em algum depósito da prefeitura de São Paulo.

Em 2012, conforme noticiado no blog Paulistices do Edison Veiga, foi formalizada a decisão do então prefeito Gilberto Kassab de ceder a totalidade do monumento ao município de Itu, em comodato, por 30 anos.

Desde então, o monumento adorna a Escola Estadual Regente Feijó. Não está montada da bela forma original, mas melhor assim que empoeirada e perdida nos porões municipais.

2015 - Estátuas do Monumento ao Regente Feijó - GSV
Monumento ao Regente Feijó atualmente. Créditos na imagem.

Fontes:
¹ http://www.al.sp.gov.br/acervo-historico/exposicoes/parlamentares-paulistas/egas/monumento.htm
² https://goo.gl/3DKsVs
³ https://pt.wikipedia.org/wiki/Diogo_Ant%C3%B4nio_Feij%C3%B3

 

 

 

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