A Alameda e a Igreja

Boa Tarde!

Uma cidade bucólica, que aos poucos se modernizava.
É o que mostra esse postal da Alameda Glette e da “Egreja” do Coração de Jesus: lampiões a gás, a carroça na rua e as casas baixas e com janelões contrastam com casarões de mais de um andar e a imponência da igreja.

Alameda Glette e Igreja do Sagrado Coração em postal circulado em 1905. Edição do Mundo Illustrado
Alameda Glette e Igreja do Sagrado Coração em postal circulado em 1905. Edição do Mundo Illustrado

A história do Santuário Sagrado Coração de Jesus tem início final do século XIX. Foi precisamente no dia 24 de junho de 1881 que D. Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, Bispo Diocesano de São Paulo, realizou a cerimônia de inauguração da pedra fundamental da Capela do Sagrado Coração de Jesus. Em 1882 se pensou a possibilidade de anexar ao Santuário um estabelecimento de ensino, de artes e ofícios.

A capela acabou cedendo lugar a uma nova construção – um grande Santuário, que contou com o apoio de figuras eminentes da época, como Dona Veridiana Prado e o Conde Prates, e todo o povo paulistano e em 17 de novembro de 1901, o templo foi inaugurado.

Postal n. 16 da Série B de Guilherme Gaensly, já publicada aqui no Sampa.
Postal n. 16 da Série B de Guilherme Gaensly, já publicada aqui no Sampa.²

O estilo da construção é romano basilical, é constituído de três naves, sendo as laterais abobadadas a meio arco central. Oito colunas de cada lado, simulam o mármore e separam a nave central das laterais. Os painéis e afrescos são de autoria de Pedro Gentili e de uma grande pintora florentina, cujo nome é mantido em segredo, a seu pedido. A nave central pode ser considerada uma joia da Arte Sacra do Brasil e se constitui uma miniatura da nave da Basílica de Santa Maria Maggiore em Roma. Quarenta lustres de cristal da Boemia ornamentam essa belíssima basílica. Os altares laterais possuem imagens esculpidas em madeira e mármore de origem italiana, francesa e alemã.

A arquitetura do prédio e o altar-mor, em mármore Carrara, são obras do artista e arquiteto Domingos Delpiano. É encimada pelo Cristo Redentor de sete metros de altura, em cobre dourado, executado nas oficinas do Liceu pelo mesmo arquiteto, como também os demais trabalhos do santuário. No princípio do século XX era o ponto mais alto da cidade.

Foto tomada a partir do alto da torre do Sagrado Coração de Jesus, por Gustavo Prugner, c. 1920. Por ser um dos pontos mais alto da cidade na época, várias fotos foram tiradas de sua torre. As mais populares são as séries de "Vistas de São Paulo", de Guilherme Gaensly, que faz imagens dos bairros de Santa Cecília, Campos Elíseos, do Brás e da Luz.
Foto tomada a partir do alto da torre do Sagrado Coração de Jesus, por Gustavo Prugner, c. 1920. Por ser um dos pontos mais altos da cidade na época, várias fotos foram tiradas a partir de sua torre. As mais populares são as séries de “Panoramas de São Paulo”, de Guilherme Gaensly, que faz imagens dos bairros de Santa Cecília, Campos Elíseos, do Brás e da Luz.

O Santuário mede 52 metros de comprimento por 22 metros de largura. A torre, que em 1922 era um dos três pontos mais altos da cidade de São Paulo, mede 62 metros, incluindo os 7 metros do pedestal e os 7 metros do Cristo Redentor. É o mais antigo templo de estilo clássico-renascentista de São Paulo. O Santuário do Sagrado Coração de Jesus marca o início da renovação da arte sacra na capital paulista.¹

E porque Alameda Glette?

Frederico Glette, suíço-alemão radicado no Brasil, foi um grande proprietário de terras em São Paulo. Adquiriu em 1879 a Chácara Mauá (atual praça Princesa Isabel), que loteou a chácara e nos terrenos vendidos entre os anos de 1882 e 1886 abriu as ruas e alamedas dos Protestantes, Triunfo, Andradas, Gusmões, Piracicaba, Nothmann, General Osório, Duque de Caxias, Helvetia e em sua homenagem Glette, entre outras Foi quem construiu o prédio que antigamente era ocupado pelo “Grande Hotel”, um dos melhores e mais luxuosos da época. Frederico Glette faleceu no Rio de Janeiro em 30 de dezembro de 1886.³

Sagrado Coração de Jesus e Alameda Glette. Postal editado por 1910 - Largo do Coração de Jesus - Alameda Glete e Santuário do Sagrado Coração O. Achtschin, c.1905/1910.
Sagrado Coração de Jesus e Alameda Glette. Postal editado por 1910 – Largo do Coração de Jesus – Alameda Glete e Santuário do Sagrado Coração O. Achtschin, c.1905/1910.

Fontes:

¹ http://www.sscj.org.br/historico (nesse link você pode ver fotos recentes do interior da igreja)

² Se tiver curioso quanto a Série B de Gaensly, basta acessar http://www.sampahistorica.com.br/edificios-historicos/a-serie-b-de-guilherme-gaensly/

³ AMARAL, Antonio Barros do. Dicionário da História de São Paulo, Coleção Paulística. 19. ed. 141p. São Paulo: Imprensa Oficial, 2006. / http://www.dicionarioderuas.prefeitura.sp.gov.br/

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