É dia de Feira…

Boa Tarde!

Depois de tantas promessas de retorno, finalmente uma publicação fresquinha, assim como as verduras, frutas e legumes que semanalmente chegam às feiras livres paulistanas.

Mas para quem pensa que feira livre é coisa moderna está muito enganado. As feiras funcionam na cidade desde meados do século XVII, visto a ocorrência de uma certa oficialização para venda, em 1687, de “gêneros de terra, hortaliça e peixe, no Terreiro da Misericórdia”.

1887 - Rua da Quitanda - Militão A. Azevedo
Rua da Quitanda, 1887, em foto de Militão Augusto de Azevedo. Denominação tradicional e de origem popular que relembra o comércio miúdo ali estabelecido no século XIX e que era chamado de “quitanda”. A partir de meados do século XIX, os paulistanos a denominaram como “Quitanda”, uma vez que ela era a preferida pelas “quitandeiras”, mulheres que vendiam miudezas e alimentos cozidos ou in natura. Foto do Acervo da Biblioteca Mário de Andrade.

No início do século XVIII, nota-se a distinção entre alguns ramos de comércio: aparecem as lojas ou vendas, onde se comprovam fazendas (tecidos) e gêneros alimentícios não perecíveis, e as quitandas, que ofereciam verduras e legumes.

Em fins do século XVIII e começo do século XIX, estruturam-se as feiras fora da cidade, nos locais de pouso de tropas, ou um início de Mercado Caipira e a Feira de Pilatos, no Campo da Luz, estabelecida pelo então Governador Melo Castro de Mendonça.

1910 - Mercado Grande - Dos Caipiras - Ebay
O Mercado Grande era mais conhecido como Mercado dos Caipiras. O mercado foi inaugurado em 1867, seria remodelado em 1907 e seria chamado de “Mercado Novo”, foi demolido entre 1938-39. Ficava aproximadamente onde hoje temos o Terminal Pq. Dom Pedro II. Na parte superior, as “costas” dos prédios do Pátio do Colégio, sendo o da direita o Palácio do Governo e da esquerda, mais alto, a Central de Polícia. Não consta editor do postal e a imagem de c. 1910.

Essa primeira existência é a que mais se assemelha às feiras de nossos dias. Em 1914, foi criada a Feira Livre por meio do ato do Prefeito Washington Luiz P. de Souza, não como projeto novo, mas sim como o reconhecimento oficial de algo que já existia, tradicionalmente, na cidade de São Paulo.

1910 - Mercado Livre - Avenida Tiradentes - Sem Editor - DCP
Postal registra o movimento do “Mercado Livre”, na Avenida Tiradentes. Pelo traje das pessoas, a imagem deva ser do final da década de 1910, primeiros anos da década seguinte. Acredito que o postal retrate as primeiras feiras livres oficializadas pelo prefeito Washington Luis. O postal sem editor registrado, foi encontrado em um site de leilões.

A primeira Feira Livre oficial, realizada a título de experiência, contou com a presença de 26 feirantes e teve lugar no Largo General Osório. A segunda realizou-se no Largo do Arouche, com 116 feirantes, e a terceira foi no Largo Morais de Barros. Em 1915, elas somavam um total de 7 feiras, sendo duas no Arouche, duas no Largo General Osório e as demais no Largo Morais de Barros, Largo São Paulo e na Rua São Domingos.

Em 1948, há uma expansão das Feiras Livres, quando o prefeito Paulo Lauro, por meio de Lei, determina a instalação de, pelo menos, uma feira semanal em cada subdistrito ou bairro da cidade.

1954 - Feira Livre - Acervo Folha
Feira Livre em rua não identificada, em 1954. Acervo Folha de São Paulo

Com o passar das décadas, através de decretos nos anos de 1964, 1974, as feiras vão sendo reorganizadas, ordenando-se a forma de sua criação, suas dimensões, disposição das bancas por ordem cronológica e ramo de comércio e dividindo-as nas categorias Oficiais e Experimentais. A partir de então, elas são estruturadas dentro de moldes, sendo o Município de São Paulo pólo gerador de conhecimento para as demais regiões do país, as quais ocorrem à P.M.S.P., visando a implantação de estruturas semelhantes, por É dia de Feira…sua funcionalidade, organização e baixo custo de implantação.¹

1960 - Feira Livre Antiga Praça Roosevelt - FolhaPress
Feira Livre na antiga Praça Roosevelt, década de 1960. Acervo Folha de São Paulo

 

1979 - Feira Livre - Acervo Folha
Feira Livre, em local desconhecido em 1979. Acervo Folha de São Paulo

E assim, as feiras livres continuam atravessando as décadas e gerações de paulistanos, que ou vivem do seu sustento, ou que semanalmente, vão abastecer suas fruteiras ou comer aquele pastel com caldo de cana delicioso!

Até a próxima!

Fontes consultadas:

¹ http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/trabalho/abastecimento/feiras_livres/historico/index.php?p=6637

http://www.dicionarioderuas.prefeitura.sp.gov.br/

As fotos das feiras com as legendas apenas com local e data, foram retirados de http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/21888-feiras-livres-antigas#foto-351044

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5 comentários Adicione o seu

  1. josé maria disse:

    Se uma coisa boa na cidade é a feira livre, onde se encontra produtos fresquinhos e várias cores de alimentos que ajudam os olhos. adoro feira livre, compro em uma delas todas as semanas

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    1. Feira é tudo de bom, né!?

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      1. josé maria disse:

        coisa maravilhosa, tanto para o bolso como para o cotidiano da vida, evita o estresse

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  2. Ricardo Ferreira disse:

    Parabéns pela matéria
    Muitas pessoas desconheciam a origem das feiras lives de nossa querida São Paulo.

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