Edifício Wilton Paes de Almeida

Boa Tarde!

Semana passada fui com um amigo ao Centro da cidade, dar uma volta por ruas e espaço menos visitados, fazer algumas fotografias, “encontrar” alguma curiosidade e afins. Claro que chegando lá, a gente constata que a coisa só tem piorado: muitos moradores de rua, muitos usuários de drogas, prédios vazios, alguns deles históricos e centenários invadidos (não vou entrar no mérito dessa questão de “luta por moradia”).

Chegando ao Largo do Paiçandu, fotografei esse prédio por dois motivos: primeiro que lembrei que um amigo, membro de um grupo de discussões sobre São Paulo já havia contado com saudosismo a época em que trabalhou no lugar, e segundo, pelo estado lastimável em que se encontra o edifício.

GEDSC DIGITAL CAMERAO edifício se chama “Wilton Paes de Almeida”, localizado na Rua Antonio de Godói, 22 foi construído nos anos 1960 e inaugurado em 1968. O predio de propriedade do empresario e politico Sebastião Paes de Almeida ali estabeleceu seu conglomerado composto da diversas firmas como a CVB, Oleogazas, Socomin e duas agencias bancarias. o Nacional do Comercio de São Paulo S/A. e o Banco Mineiro do Oeste S/A nos quais era acionista majoritário. Por conta de dividas, o Estado tomou posse e no local já passaram a agencia do INSS e por algum tempo foi sede central da Policia Federal em São Paulo¹. A PF deixou o local em 2006 e desde então, o prédio permanece desse jeito: invadido e vandalizado.

O edifício Wilton Paes de Almeida, um ano após sua inauguração, 1969, em fotografia feita pra um calendário de bolso. Acervo de Joao José Basso.
O edifício Wilton Paes de Almeida, um ano após sua inauguração, 1969, em fotografia feita pra um calendário de bolso. Acervo de Joao José Basso.

Propriedade da União, o prédio estava cedido à Prefeitura, que não usou o imóvel por causa do alto custo de reforma. Com 2 mil metros quadrados, ele foi transferido recentemente para a Unifesp, para a instalação do Instituto de Ciências Jurídicas. Segundo o reitor Walter Manna Albertoni, o imóvel está depredado e nenhum dos elevadores funciona. A Unifesp estima que ele só poderá ser ocupado em 2014, após reforma de R$10 milhões.²

A foto que abre essa publicação é do dia 16 de dezembro de 2014, o ano acabou e a Unifesp não aparenta ter iniciado uma reforma, reintegração de posse ou uma solução para ocupação do prédio. A única coisa que nos resta agora é torcer por dias melhores e que esse edifício não tenha o mesmo destino do edifício São Vito (o famoso treme-treme), no Parque Dom Pedro II.

O edifício Wilton Paes de Almeida, em fotografia feita pra um calendário de bolso, do ano de 1974. Acervo de Joao José Basso.
O edifício Wilton Paes de Almeida, em fotografia feita pra um calendário de bolso, do ano de 1974. Acervo de Joao José Basso.
Como curiosidade, esta foto noturna dos anos 1980, autor desconhecido, mostra o efeito do tal teto luminoso.
Como curiosidade, esta foto noturna dos anos 1980, autor desconhecido, mostra o efeito do tal teto luminoso. Acervo Joao José Basso.

As memórias citadas no início são o Joao José Basso, e aqui vai seu relato sobre o prédio:
Boa lembrança. Trabalhei bons anos nesse prédio inaugurado em 1968, que, para aquele tempo, era considerado uma arquitetura de vanguarda com ar condicionado central para todos os andares, central de PABX Siemens inédita na época. Marmore Antic da Grécia de acabamento, Cristais Ray-Ban Belga (não havia ainda o vidro colorido na massa da Vidrobrás (hoje Santa Marina). Caixilharia para abertura em guilhotina (para quando fosse necessário) que você movimentava com 2 dedos em razão do contra peso existente nas colunas de alumínio. O 18.º andar era exclusivo da presidência, um luxo só, com elevador privativo. No 21.º tínhamos o restaurante “Self Service” para 200 pessoas, por etapa. O show ficava por conta do teto dos andares era chamado de luminoso, pois, as fluorescentes ficavam instaladas nas caixas das nervuras da laje, e essas caixas eram revestidas com espelhos, assim, quando ligadas, você tinha a sensação de ver um grande painel luminoso em cada andar.”

Fontes:
¹ Fotos antigas e relato sobre o edifício de Joao José Basso
² http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/20801

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6 comentários Adicione o seu

  1. Pois é, a falta de interesse do poder publico em cuidar de seu patrimônio imobilizado proveniente de imoveis tomados de arresto a devedores inadimplentes levou a essa consequência, o prédio ficou deteriorado e houve a invasão. O prejuizo ficou maior, mas, quem se preocupa com isso!!!

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  2. Olá Herculano…esse não é o edifício que pertencia a policia federal ??…

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  3. …desconsidere por favor a pergunta acima…ok

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  4. Rodolpho Neto disse:

    Temos que Cuidar das Nossas Reliquias Históricas é um Pecado abandonar Edificios Casas para que sejam Invadidas por Viciados ou Movimentos Sem Teto etc…

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  5. José Santos disse:

    Esse edifício foi leiloado alguns dias atrás.

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